No Brasil, as usinas solares fotovoltaicas já representam 24,8% da capacidade instalada de geração elétrica do país - Foto: Magnific
A energia solar fotovoltaica é aquela produzida a partir da conversão da luz do sol em eletricidade por meio de painéis solares. Nos últimos anos, essa tecnologia deixou de ser uma alternativa de nicho e passou a ocupar posição central na transição energética mundial. Em 2025, a capacidade solar fotovoltaica instalada no planeta chegou a cerca de 2.800 GW, com mais de 600 GW adicionados somente naquele ano, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).
No Brasil, a expansão também é acelerada: as usinas solares fotovoltaicas já representam 24,8% da capacidade instalada de geração elétrica do país, enquanto a energia hidráulica, embora ainda seja a principal fonte, reduziu sua participação de 61% em 2016 para 40% em 2025. A geração distribuída solar também ganhou espaço e, em 2025, respondeu por 7% de toda a eletricidade gerada no país.
Apesar desse crescimento, ainda existem muitas dúvidas sobre como a energia solar funciona, quanto custa, quanto é possível economizar e quais são as regras para instalar um sistema. No Brasil, quem pretende produzir a própria eletricidade precisa cumprir procedimentos técnicos e regulatórios junto às distribuidoras, além de lidar com regras que mudaram nos últimos anos.
É nesse contexto que surgiu a expressão popular “taxação do sol”. O termo, porém, é impreciso: não existe um imposto sobre a luz do sol. O que existe é a cobrança gradual de componentes relacionados ao uso da rede de distribuição por consumidores que participam do sistema de compensação de energia, conforme estabelecido pela Lei nº 14.300/2022. Para os sistemas enquadrados nas regras aplicáveis aos novos participantes, a parcela referente a determinados componentes da distribuição chegou a 60% em 2026, seguindo uma transição prevista em lei.
É justamente para esclarecer essas questões que este texto reúne os principais pontos sobre a energia fotovoltaica. A proposta é explicar, de maneira simples e objetiva, como a tecnologia funciona, quais são suas vantagens e limitações, como funciona a relação com a rede elétrica e o que realmente mudou na legislação brasileira — separando informações comprovadas de interpretações exageradas, boatos e fake news que circulam sobre o assunto.
Dez pontos principais sobre a energia solar
1. Como funciona a energia fotovoltaica
Os painéis solares são formados por células fotovoltaicas que transformam a radiação solar em energia elétrica. A eletricidade produzida inicialmente é em corrente contínua e passa por um inversor, equipamento que a converte em corrente alternada, utilizada pelos aparelhos e instalações elétricas convencionais. O sistema pode ser instalado em residências, empresas, propriedades rurais, prédios públicos e grandes usinas.
2. Existem diferentes formas de utilizar a energia solar
Um sistema fotovoltaico pode funcionar conectado à rede elétrica ou de forma isolada. Nos sistemas conectados à rede, mais comuns em residências e empresas, a energia produzida durante o dia é utilizada prioritariamente pelo próprio consumidor. O excedente pode ser enviado à rede e convertido em créditos dentro das regras do Sistema de Compensação de Energia Elétrica. Já sistemas isolados precisam de baterias ou outras soluções de armazenamento para garantir o fornecimento quando não há geração solar.
3. Ter painéis solares não significa deixar de usar a rede elétrica
Esse é um dos principais equívocos sobre a tecnologia. Em um sistema conectado à rede, o consumidor continua tendo uma relação com a distribuidora. Durante períodos de baixa geração, como à noite, a energia pode ser fornecida pela rede. Quando há produção superior ao consumo instantâneo, o excedente pode ser injetado no sistema elétrico e gerar créditos, de acordo com as regras vigentes.
4. A energia solar não funciona apenas quando o céu está completamente aberto
Os painéis precisam de luminosidade, e não necessariamente de sol intenso. Em dias nublados, a geração continua, embora normalmente em níveis menores. À noite, não há produção fotovoltaica. Por isso, o dimensionamento do sistema deve considerar o consumo do imóvel, a localização, a incidência solar e as características da rede elétrica.
5. A economia na conta de luz pode ser significativa, mas não significa conta zerada
A instalação de um sistema solar pode reduzir bastante o valor pago pela energia elétrica, mas isso não significa necessariamente que o consumidor ficará sem nenhuma cobrança. Existem custos e componentes tarifários que podem continuar sendo cobrados, além das regras específicas aplicáveis ao sistema de compensação. Portanto, promessas de “conta de luz zero” devem ser analisadas com cautela.
6. A chamada “taxação do sol” não é uma cobrança pela luz solar
A expressão ganhou popularidade nas discussões sobre a Lei nº 14.300/2022, mas pode induzir a erro. O que está sendo cobrado não é o acesso à luz do sol. A legislação estabeleceu uma transição para que determinados consumidores que geram sua própria energia e utilizam a rede da distribuidora participem, de forma progressiva, dos custos associados à infraestrutura de distribuição. Em 2026, para os consumidores submetidos à regra de transição prevista no artigo 27, a incidência corresponde a 60% de determinadas componentes tarifárias.
7. A instalação exige planejamento e aprovação da distribuidora
Não basta comprar os painéis e conectá-los à rede. Sistemas conectados à distribuição precisam seguir requisitos técnicos e passar pelos procedimentos estabelecidos pela distribuidora. O processo normalmente envolve projeto, solicitação de acesso, análise técnica, instalação, vistoria e troca ou adequação do medidor, conforme o caso. Essa burocracia existe para garantir a segurança das instalações e a correta operação do sistema elétrico.
8. Energia solar ajuda a diversificar a matriz elétrica brasileira
O Brasil possui forte dependência histórica da geração hidrelétrica. A expansão de fontes como solar e eólica permite diversificar a matriz e reduzir a pressão sobre os reservatórios em determinadas situações. Em períodos de menor disponibilidade hídrica, por exemplo, a geração solar pode contribuir para reduzir a necessidade de acionamento de fontes mais caras e mais intensivas em emissões. Ao mesmo tempo, como a produção solar varia ao longo do dia, ela precisa ser integrada ao sistema de forma planejada, com redes adequadas, armazenamento, gestão da demanda e outras fontes capazes de oferecer flexibilidade.
9. A energia solar é renovável, mas não é uma tecnologia sem impactos
A geração fotovoltaica não depende da queima de combustíveis para produzir eletricidade e apresenta baixas emissões durante a operação. Isso não significa, porém, que sua cadeia produtiva seja completamente livre de impactos ambientais. A fabricação dos equipamentos utiliza matérias-primas, energia e processos industriais, e os painéis precisam ser corretamente destinados ao final de sua vida útil. Ainda assim, considerando todo o ciclo de vida, a fonte apresenta vantagens importantes para a redução das emissões do setor elétrico.
10. O futuro da energia solar depende de tecnologia, regulação e infraestrutura
A expansão da energia fotovoltaica deve continuar, mas seu crescimento traz novos desafios para o sistema elétrico. A IEA estima que a energia solar fotovoltaica responderá por quase 80% da expansão mundial da capacidade renovável entre 2025 e 2030. No Brasil, o avanço da geração distribuída já exige investimentos em redes, sistemas de controle, armazenamento e mecanismos capazes de equilibrar produção e consumo. Portanto, o debate sobre energia solar não envolve apenas instalar mais painéis, mas construir um sistema elétrico capaz de aproveitar essa energia de maneira segura, eficiente e economicamente sustentável.
